Viação Bonfim

Postagem transferida do Fotopages Paraíba Bus Team (divulgado no dia 31 de agosto de 2011): http://paraibabusteam.fotopages.com/

Empresa Viação Bonfim – O pioneiro do transporte na Paraíba

Quem vê a Bonfim hoje, operando apenas uma linha e com uma pequena frota, não imagina o tamanho da sua contribuição e importância no que tange o transporte paraibano. A sua longínqua trajetória carrega consigo diferentes momentos que geram possibilidades de trazer a tona os mais variados sentimentos. Foram poucas as empresas que já vivenciou quase de tudo ao decorrer da sua existência.

Severino Camelo – Em busca da realização de um sonho

Assim como quase todos que nasceram no interior paraibano no inicio do século passado, a sua infância e juventude foi marcado por muito trabalho e dificuldade na cidade de Esperança. Diferente dos demais, ele costuma juntar dinheiro para colocar em prática algum negócio.

Após o Serviço Militar em João Pessoa e conseguir juntar algumas economias, retorna a sua cidade em 1922 e adquire um ponto comercial, passando a comercializar frutas, verduras, farinha, etc.

No fim de 1927, após juntar Um conto e 500 de réis, adquire um carro e começa a operar a linha Esperança x Campina Grande, iniciando-se no mundo dos transportes. Após três anos, adquire de um rapaz em Campina Grande um ônibus usado de madeira por Quatro contos e 500 mil réis, com alguns defeitos, mas o suficiente para transportar 20 passageiros e algumas bagagens.

O transporte nessa época era bastante complicado, pois a viagem entre Esperança e Campina Grande poderia durar das 6 da manhã até as 17 horas, isso com a estrada em condição razoável. Caso chovesse, facilmente o sôpa atolava e poderiam passar até três dias no local.

O Severino Camelo era de tudo…motorista, cobrador, carregador, mecânico, etc.
Em 1940, passa a residir em Campina Grande. Uma nova estrada surge no estado, ligando João Pesso a Campina Grande. Ele disponibiliza mais um ônibus para fazer esse trajeto, dos seis novos que acabara de adquirir, fabricados em João Pessoa e de madeira do tipo sucupira e guaraúna.

Em 1948 a situação melhora bastante. Severino Camelo compra de um empresário paraibano, o José Alves de Azevedo, a linha João Pessoa x Recife, já utilizando ônibus mais modernos, com carrocerias feitas no sul. A situação melhora ainda, algum tempo depois, quando começam a surgir os primeiros ônibus Mercedes-Benz e o nosso perseverante paraibano não é mais apenas um simples transportador – é proprietário da Empresa Viação Bonfim. Também, torna-se pioneiro na aquisição de ônibus Mercedes-Benz na Paraíba, comprado a Aldino Pimentel, então concessionário em Campina Grande.

[A consolidação de um império e o seu encolhimento

Entre os anos 50 e 70, diversas estradas estavam sendo construídas ou pavimentadas, interligando cidades e localidades. Com isso, um aumento na demanda por transporte surgiu na Paraíba para suprir essa necessidade. Mesmo consolidada como uma empresa, um fator no início dos anos 60 foi fundamental para a Bonfim: a esquematização mais administrativa visando a sua ampliação com qualidade. O General Aldenor Valente Quinderê deu uma contribuição significativa nesse sentido ao unir os laços com a família Camêlo após sua filha se casar com um dos filhos do proprietário da Bonfim. A primeira preocupação foi criar os meios de trabalho e então começaram a construir uma garagem, que é esta atual. A partir daí a empresa estruturou-se de maneira a prosseguir no seu desenvolvimento.

Até o início dos anos 70, a Bonfim tinha cinqüenta ônibus na sua frota, 100% Mercedes-Benz e um quadro com cerca de 160 funcionários. Tinha agência própria em João Pessoa, Campina Grande, Natal e Recife.

Até então, nos primeiros anos da década de 70 tinha a concessão das linhas:

João Pessoa x Recife (Operada desde 1948 pela empresa e apenas essa desde 1979);

João Pessoa x Natal ( Negociada com a Viação Nordeste);

João Pessoa x Rio de Janeiro (Negociada com a Itapemirim);

João Pessoa x Goiana/PE (Repassada a Viação Boa Vista);

João Pessoa x Cajazeiras (Repassada a Viação Gaivota);

João Pessoa x Patos (Repassada a Viação Gaivota ou negociada com a Viação Patoense – a verificar);

João Pessoa x Campina Grande (Negociada com a Real da Família Brito);

João Pessoa x Brejo Paraibano (Negociada com a Família Azevedo (Bela Vista) e possivelmente a Família Amorim da Guarabirense);

Recife x Natal (Negociada com a Viação Nordeste);

Campina Grande x Recife (Possivelmente negociada com a Progresso);

Campina Grande x Natal (Negociada com a Nordeste);

Guarabira x Recife (Negociada em 1979 com a Itapemirim);

Até a primeira parte dos anos 70 boa parte de suas linhas foi negociada, ocasionada por problemas de ordem familiar e, conseqüentemente, administrativa. Em 1975, a empresa teve 50% de redução da sua frota, ficando com apenas 25 carros para as duas únicas linhas: João Pessoa x Recife e Guarabira x Recife. De todas as suas linhas citadas acima, a João Pessoa x Recife era a mais rentável, uma vez que em Recife tinha de tudo que o pessoense necessitava, além das mercadorias serem mais baratas. Em 1979, ela negocia a linha Guarabira x Recife para a Itapemirim, passando a operar apenas uma linha, além de operar, também, no fretamento para turismo. Atualmente também explora o setor de encomendas entre João Pessoa e Recife.

Mesmo operando apenas uma linha, a Bonfim não perdeu a sua força e sua importância, pois, além de prestar um ótimo serviço, continuou com o seu pioneirismo ao adquirir novidades no segmento de ônibus rodoviários.

O nome do terminal rodoviário de João Pessoa, inaugurado em 1982, leva o nome do pioneiro do transporte paraibano.

A Bonfim gerando outras empresas

O Severino Camelo não criou apenas a Bonfim, mas também outras empresas.

No dia 19 de agosto de 1954, a Viação Gaivota foi fundada, e nos anos 70 vendida para o Fernando Barbosa. A Gaivota na nova administração teve um notável crescimento se tornando em uma das principais empresas paraibana. Chegou a operar a linha Recife x Iguatu/CE via João Pessoa e Campina Grande, além das linhas: João Pessoa x Recife, Cajazeiras x Recife e linhas de Campina Grande para o interior.

Nos anos 70, a Viação Luso-Brasileiro, mais conhecida como Canarinho, foi adquirido junto a família Azevedo. Essa empresa operava linhas para cidades do litoral sul paraibano. Após a aquisição, o nome foi modificado para Viação Boa Vista e foi administrada por um dos filhos do Severino Camelo. Além de operar para o litoral sul paraibano, a Boa Vista passou a operar para Goiana e Recife. A empresa foi vendida para a Progresso e passou um tempo sendo operada pela Viação Cruzeiro, empresa do mesmo grupo, mas retornou a ser Boa Vista. Encerrou suas atividades em meados de 2001 e passou a operar no turismo em Salvador.

Entre as empresas urbanas, duas foram criadas. A primeira foi a Bonfinense, entre os anos 60 e 70, que fazia linha ligando Cruz das Armas a Tambaú. Não durou tanto tempo, pois empresa urbana era pouco rentável comparada a rodoviária. A segunda foi a Boa Vista, fundada em 1991 após adquirir parte das linhas da Etur junto aos herdeiros do Abelardo Azevedo, proprietário da Etur que faleceu num acidente automobilístico. A empresa durou apenas 11 anos.

Atuais dificuldades

A Bonfim entrou em crise nos últimos anos. No ano de 2010, a solução para permanecer operando foi fazer sociedade com um empresário mineiro, negociando 50% da empresa. Foram adquiridos junto a Expresso Guanabara quatro Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500RS de 2005, dando uma maior qualidade na sua operação.

A última semana de agosto de 2011 poderia ter ceifado de vez a história da Bonfim. A sociedade foi desfeita e os ônibus introduzidos pelo empresário mineiro foram retirados da frota, causando um grande transtorno, inviabilizando a operação da empresa. A priori, no dia 26 de agosto a empresa tinha negociado a sua concessão da sua única linha com o Progresso, e esta colocaria a Viação Cruzeiro para operar os horários da Bonfim, marcando o retorno dessa viação pernambucana a esta linha. Para não encerrar as suas atividades, a Bonfim planejava continuar apenas no fretamento para turismo. Porém, na tarde do dia 29 de agosto, a Bonfim retorna a operar a sua linha por direito.

Com isso, a Bonfim continua firme na linha e está buscando meios de permanecer viva, pois o espírito de perseverança do Sr° Severino Camelo está presente para a felicidade de quem admira esta empresa de verdade e reconhece a sua importância dentro do estado.

Também, esperamos que a direção da Bonfim aprenda com os seus erros para que certas coisas não venham mais a acontecer, pois é necessário ter ciência de que apenas de história e nostalgia não é possível manter uma empresa viva e competitiva. Do passado tiramos lições e admiração, mas o presente é agora.

Imagens Históricas

Anúncio publicitário nos anos 70

Marcopolo III da Gaivota – Uma das empresas que o Severino Camêlo fundou

Marcopolo III da Boa Vista – Empresa-irmã da Bonfim

Antigo Monobloco em operação

Bonfinave dos anos 70

Frota dos anos 80 e 90

Marcopolo Viaggio G4 950 K-112CL

Cobrasma CX301 K-112TL

Incasel Delta

Mercedes-Benz Monobloco O-370 RS

Mercedes-Benz Monobloco O-371 RS

Marcopolo III

Marcopolo Paradiso G4 1150 K-112TL

Busscar Jum Buss 380

Busscar Jum Buss 340 K-113CL

Frota mais recente

400 – Busscar Vissta Buss O-400 RSD

600 – Busscar Jum Buss 380 O-400 RSD

700 – Busscar Jum Buss 360 O-400 RSD

1001(atual 1500) – Marcopolo Viaggio G6 1050 O-400 RSE

1002 (renumerado para 1400) – Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500 RS

1100 – Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500 RS

1200 – Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500 RS

1300 – Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500 RS

1400 – Marcopolo Paradiso G6 1200 O-500 RS

1600 – Busscar Vissta Buss HI O-500 RS

Chevrolet D60 – Antigo Socorro

Severino Camelo – In Memoriam

Produção/Edição: Kristofer Oliveira
Colaboração: Phillipe Figueiredo; Edmilson Vitoriano; Claudemir Barros; Marcos Cabral; Fábio Gonçalves; JC, Paulo R. Viana.
Consultas: Revista Sua Boa Estrela de 1971; Arquivo Governo da Paraíba

A Equipe da Paraíba Bus Team agradece o apoio da Viação Bonfim e dedicamos esta postagem em especial para o Sr Edmilson Vitoriano, que possui 35 anos na casa e ninguém mais do que ele quer ver a empresa forte e grande novamente, mediante o seu compromisso ímpar com a Bonfim.

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